sábado, 21 de novembro de 2009

 
O conhecimento intuitivo de gêneros textuais


( Dinâmica realizada no Projovem Urbano de Cataguases)


Os Gêneros textuais surgem através da necessidade e de atividades sócio-comunicativas que sempre estão relacionadas com inovações tecnológicas, principalmente as da área da comunicação. Por isso são unidades sócio-comunicativas dinâmicas e maleáveis. A partir deste conceito fica clara a necessidade da exploração dos gêneros nas atividades escolares, principalmente no tange o estudo da língua. Com a aquisição das regras gramaticais, o sujeito já começa a expressar-se por meio de diferentes gêneros. Sua aprendizagem acontece intuitivamente porque está associada a competência sócio-comunicativa.
O objetivo deste trabalho é proporcionar ao aluno reconhecer e classificar de forma intuitiva, de acordo com o seu conhecimento de mundo, o gênero dos textos propostos. O resultado foi satisfatório. Eles reconheceram a forma de organização das informações em cada gênero. Perceberam também as semelhanças nas palavras e estruturas dos textos pertencentes ao mesmo gênero, analisaram a linguagem verbal e não verbal e a importância da linguagem não verbal para a compreensão da mensagem de alguns textos.














Figuras e linguagem literária

Serão de Junho

Ouve: – alguém bateu na porta...
Janelas brilham no escuro.
Cada casa é uma estrelinha.
Cada estrela é uma família.
E o minuano, pobre diabo,
que não quer ficar no escuro,
bate, bate, empurra a porta,
praguejando como um doido:
– Pelo amor de Deus, eu quero
a esmola rubra do fogo!
Mas ninguém abre ao minuano.
Que noite fria lá fora...
Cada casa é uma estrelinha.
Há mais estrelas na terra
do que no céu, Deus do céu!
Lá fora que noite fria ...
E o minuano, pobre diabo,
andando sempre, andarengo,
para enganar a miséria,
geme e dança pela rua
enquanto assovia - chora,
e enquanto chora - assovia.

MEYER, Augusto. Poesias. Rio de Janeiro: 1957, p.18.
- Vozes do poema


Podemos perceber três vozes diferentes neste poema. A primeira delas é a das pessoas que estão dentro de casa, justificada no primeiro verso da primeira estrofe. “Ouve: - alguém bateu na porta...” e no segundo verso da terceira estrofe: “ Que noite fria lá fora...”
A segunda voz presente no texto é a do próprio Minuano, figura principal do poema. “ Pelo amor de Deus, eu quero a esmola rubra do fogo!”
E, por último, a voz do narrador que nos põe a par do acontecimentos. “E o minuano pobre diabo, que não quer ficar no escuro...”
As cenas narradas no poema são vistas de acordo com essas vozes. Ora as vemos de dentro das casas, ora de fora.



- Presença de figuras de linguagem

A figura de linguagem mais expressiva no poema é a prosopopeia ou personificação. Essa figura possibilita a atribuição de características humanas a objetos, animais, etc... No texto o minuano – que é um forte vento – é transformado em pessoa que age, pensa, sente como humanos, pragueja, tem vontades, dança, geme e assovia. Sua força é sugerida pela repetição da forma verbal bate, bate e pela capacidade de empurrar as portas.
Há, também, a presença da comparação, figura que estabelece um paralelo entre dois seres, através do nexo de igualdade “como”. Ex: “ praguejando como um doido.”
Logo no início há uma seqüência de metáforas, comparações subentendidas. Ex: “.Janelas brilham no escuro/ cada casa é um estrelinha/ cada estrela é uma família.” A linguagem metafórica é própria de textos literários.
No verso: “ Há mais estrelas na terra/ do que no céu, Deus do céu!” encontramos um pensamento exagerado, esta figura é denominada hipérbole.
Na ultima estrofe aparece uma seqüência de atitudes e ações opostas, chamadas de antítese. “ Geme e dança pela rua/ enquanto assovia - chora / enquanto chora - assovia.”

Todas essas figuras mostram a riqueza da linguagem literária, que entre outros elementos, é caracterizada pelo uso da linguagem figurada.



Por: Lucas Neiva
O Diálogo entre textos: A intertextualidade

"Intertextualidade é o que ocorre toda vez que um texto tem relaçoes claras com outro, ou outros. É, portanto, um diálogo de um texto com outro."


A RAPOSA E AS UVAS

De repente a raposa, esfomeada e gulosa, fome de quatro dias e gula de todos os tempos, saiu do areal do deserto e caiu na sombra deliciosa do parreiral que descia por um precipício a perder de vista. Olhou e viu, além de tudo, à altura de um salto, cachos de uvas maravilhosos, uvas grandes, tentadoras. Armou o salto, retesou o corpo, saltou, o focinho passou a um palmo das uvas. Caiu, tentou de novo, não conseguiu. Descansou, encolheu mais o corpo, deu tudo o que tinha, não conseguiu nem roçar as uvas gordas e redondas. Desistiu, dizendo entre dentes, com raiva: “Ah, também, não tem importância. Estão muito verdes.” E foi descendo, com cuidado, quando viu à sua frente uma pedra enorme. Com esforço empurrou a pedra até o local em que estavam os cachos de uva, trepou na pedra, perigosamente, pois o terreno era irregular e havia risco de despencar, esticou a pata e... Conseguiu! Com avidez colocou na boca quase o cacho inteiro. E cuspiu. Realmente as uvas estavam muito verdes!

MORAL: A FRUSTRAÇÃO É UMA FORMA DE JULGAMENTO TÃO BOA COMO QUALQUER OUTRA.
FERNANDES, Millôr. Fábulas fabulosas.13.ed.
Rio de Janeiro: Nórdica,1991, p.118.

A fábula de Millôr Fernandes dialoga com outras fábulas do mesmo nome, que apresenta várias versões, desde clássicos gregos, passando por La Fontaine ( francês ) e Monteiro Lobato.
O autor nos prepara para um leitura diferente da do texto original através do título do livro “ Fábulas Fabulosas” que pode sugerir “ excelente” como “ mentirosas”, mais que as outras. Este título é tão irônico quanto a própria fábula mencionada.
A principal diferença entre este texto e o original é a moral da história, que na fábula original é “ quem desdenha quer comprar” e ainda a raposa não consegue alcançar as uvas. Já no texto de Millôr, a raposa se esforça e até consegue pegar as uvas. Daí vem a frustração, sentimento que não aparece na primeira história.
Millôr destaca de forma interessante a fome ( necessidade natural) do animal e o defeito, a gula, um dos sete pecados capitais. Ex: A fome tem quatro dias, e a gula de todos os tempos.
O Texto literário

Caracterização da linguagem literária

Texto-base: Poema “ Caso do vestido” de Carlos drummond de Andrade


A forma dialoga do poema nos remete a outro gênero literário, o gênero dramático ( teatral). Realmente o poema seria facilmente encenado devido a sua dramaticidade.
As principais característica do gênero dramático, estão presentes no texto:

Phatos: é a linguagem comovente, expressiva, expressões de dores ou alegrias.

Ex: Nossa mãe, por que chorais?
Nosso lenço vos cedemos.

Problema: algo que é previamente proposto e que se desenrola no final.

Ex: Nossa mãe, o que é aquele
Vestido, naquele prego ?

Tensão, que é a essência do gênero dramático.

Ex: Minhas filhas, vosso pai chega ao pátio,
disfarcemos
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Clímax, onde os objetivos são atingidos.


O gênero dramático mantém uma interdependência das partes - principio, meio, fim - pois o ritmo cênico tem por objetivo chegar ao desfecho da história.




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domingo, 12 de julho de 2009

"Narradores de Javé": A interferência dos narradores na históriaA vida do povo nordestino mais uma vez é retratada no cinema nacional através do filme “Narradores de Javé”. Dirigido por Eliane Caffé, em 2004. O longa aborda os intempéries vividos pela população de um povoado fictício, chamado Vale de Javé. Os temas relacionados com a história estão presentes: história oral, história oficial e história científica e a narrativa é perpassada por elementos irônicos e trágicos comuns à cultura nordestina.
A problemática do filme provém do fato de que o povoado de Javé está preste a ser inundado para construção de uma hidrelétrica. Para reverter este quadro os moradores resolvem fazer um dossiê a fim de transformar o local em patrimônio histórico. Porém o único adulto alfabetizado de Javé é Antônio Biá, um ex-funcionário do correio local, que havia sido expulso do povoado por espalhar calúnias escritas sobre os moradores, para aumentar a circulação de cartas. Mesmo assim Biá recebeu a incumbência de transpor para o papel as memórias dos moradores sobre a fundação do povoado.Com habilidade para florear os acontecimentos, ele começa reunir relatos orais para a confecção do documento.
O filme desenrola com a difícil tarefa de Biá: reunir a história a partir de cinco versões diferentes, uma multiplicidade de fragmentos e memórias incompatíveis entre si.
Nas várias versões os heróis são alterados de acordo com o narrador. Assim o relato de uma mulher, a heroína é Maria Dina. Na versão de um morador negro, o herói era um negro Indalêo. Apesar dessas incompatibilidades, a única forma de salvar o povoado era transformar a oralidade em documento escrito.
O longa metragem traz abordagens sobre o patrimônio imaterial, a cultura, os laços que podem existir com um pedaço de terra. Em um momento uma moradora de Javé, discorre, frente a uma câmera digital, que lá estavam enterrados seus antepassados e seus filhos que morreram. Segundo ela, eles não poderiam ficar embaixo d’agua.
Entre a multiplicidade de versões que ecoam em seus ouvidos, a arbitrariedade da interferência dos narradores e a necessidade de produzir algo consciente para salvar Javé, fazem com que Antônio Biá entregue o livro em branco para a população, que acusado e ameaçado por todos, sai andando de costas, demonstrando coragem com esta atitude.
A história, que não foi escrita por Biá, é narrada em terceira pessoa, por Zaqueu, que conta os fatos para um viajante. O curioso é que ele, durante os acontecimentos, encontrava-se fora do arraial. O que nos leva a crer que a sua narração também apresenta seu ponto de vista.
“A narrativa apresenta o intercâmbio entre passado, presente e futuro, na construção da História. A verdadeira história de Javé, inicia-se após a inundação do povoado, quando os maradores reúnem-se com este objetivo. E mais uma vez a figura de Antônio Conselheiro é lembrada... ‘e o sertão vai virar mar’...”







Por: Lucas Neiva
Para refletir...


"Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Hoje repito, é uma maldição,
mas uma maldição que salva.
É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é impossível
se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.
Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que
nunca se entende a menos que se escreva. Escrever e procurar entender é procurar
reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria
apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi
abençoada... Lembro-me agora, com saudade, da dor de escrever livros."


Clarice Lispector
O processo da escrita
Existem várias crenças, teorias e opiniões sobre o desenvolvimento da modalidade escrita da linguagem. Porém estas ideias concatenam-se no que se refere a importância do uso desta habilidade sócio-comunicativa para o exercício da cidadania.
A aprendizagem da escrita, ao contrário da linguagem oral, não é um processo natural. Aprende-se a escrita num contexto específico: a escola. Cabe aos professores a responsabilidade de ensinar a escrever e esta aprendizagem ocorre em processo primário na escola. No que tange o trabalho com a escrita, a nível de 6º ao 9º ano e Ensino Médio, restringe-se apenas a produção de textos narrativos, descritivos e dissertativos e muitas vezes os temas propostos distanciam-se da realidade do educando e de seus conhecimentos prévios, dificultando assim a confecção do texto e contribuindo para que este aluno afaste-se mais da modalidade escrita da linguagem.
O processo da escrita está diretamente ligado ao ato da leitura. Mas ao contrário do que muitos pensam o indivíduo não desenvolverá a escrita apenas por ler muito. A leitura é necessária, mas não suficiente para o desenvolvimento da escrita. Aprender a escrever exige trabalho, persistência, tanto por parte do aluno, como de quem ensina.
Outro fator preponderante para aquisição da habilidade de escrever está ligado ao contexto cultural e familiar do sujeito. As histórias que a família e comunidade passam para a criança apresentam uma estrutura e seqüência lógica. Estes mecanismos vão sendo assimilados pelo indivíduo e facilitarão a produção de novos textos, pois as primeiras etapas da aprendizagem da escrita funciona como uma forma de transcrição da oralidade. O professor deve atentar para o fato de que muitos alunos vivem em ambientes iletrados e semi-letrados, e chegam à escola sem nenhum contato com a modalidade escrita de sem nunca terem sido estimulados para esta competência. No processo ensino-aprendizado da escrita deve-se valorizar a relação da escrita com a leitura, com as experiências de vida e com a descoberta de novos mundos. Aprender a escrever e lidar com as diferentes práticas da cultura escrita, possibilita ao sujeito expressar-se e posicionar-se criticamente às demandas dos ambientes que estiverem.



Por: Lucas Neiva

sábado, 11 de julho de 2009

Bons Amigos

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir

Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.

Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.

Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.

Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.

Porque amigo sofre e chora.

Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.

Porque amigo é a direção.

Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.

Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.

Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,

Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Processo da leitura.


O processo de leitura é complexo pois envolve uma série de fatores para que a interação leitor/interlocutor seja realmente eficaz.
Muito se discute sobre a construção de significado do texto. Vários conceitos sobre este assunto vem surgindo ao longo dos anos. Um dos mais antigos defende que os elementos necessários para a construção do significado do texto se encontram no próprio texto. " O texto se esclarece por si só". Essa abordagem não perdurou por muito tempo. Hoje, defende-se a ideia de que o próprio leitor ( levando em conta as condições de leitura, época, lugar, etc.) é responsável pelo significado do texto.
Os objetivos de leitura também podem gerar significados diferentes a certos textos, porque, a partir dos seus objetivos e interesses, o indivíduo seleciona o material mais cabível para alcançar o que almeja.
Outro ponto importante para a construção do significado é o conhecimento prévio, ou conhecimento de mundo, pois permite ao leitor compreender os dados decodificados. Os conhecimentos prévios são todos os saberes do sujeito, resultantes das diferentes aprendizagens e experiências vividas por ele.
Portanto a construção do significado(s) depende(m) do texto e do leitor. Este motivado por seus objetivos e munido de conhecimentos prévios, consegue compreender a mensagem do texto. O processo de leitura para ser eficaz depende de uma parceria entre texto e leitor.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Gêneros textuais e sequências tipológicas
Análise de um trecho de "Iracema" de José de Alencar e de um fragmento de " A parasita azul" de Machado de Assis.
O texto de José de Alencar apresenta as sequências tipológicas descritivas e narrativas. Porém predomina as sequências descritivas, próprias dos romances românticos. Já no texto de Machado de Assis aparecem as sequências narrativas e descritivas, com predominância das primeiras.
A partir dos dois extratos de textos analisados, fica claro que o texto do Romantismo tem preferência pelo tipo descritivo pois esta escola literária tende a idealizar a mulher, a pátria, o índio, etc. valendo-se do uso de adjetivos valorativos. ( ex. "a virgem dos lábios de mel", " os cabelos mais negros que a asa da graúna", " o pé grácil e nu"). Os textos do Realismo/Naturalismo empregam menos sequências descritivas, e quando as apresentam, elas são mais objetivas e com menos adjetivos.
Gêneros textuais : Definição e Funcionabilidade


1) Por que os gêneros não são estanques e enrijecedores da ação criativa?

R= Os gêneros textuais são dinâmicos e maleáveis, porque são mafestações linguisticas que surgem de acordo com as necessidades de comunicação e interpretação das ações humanas em um contexto discursivo e sóciocultural.


2) Por que os gêneros são caracterizados como práticas discursivas, ou práticas sociocomunicativas, e não como práticas linguisticas?


R= Os gêneros são caracterizados como práticas sóciocomunicativas, porque suas funções comunicativas são mais importantes do que as suas peculiaridades linguísticas e estruturais. São eventos históricos vinculados à vida cultural e social e incontáveis em variedade formal.


3) A palavra suporte aparece várias vezes no texto para designar algo ligado ao texto e ao gênero. A partir do contexto , a que você acha que ela se refere? Dê alguns exemplos.


R= O "suporte" é o canal usado para no processo de comunicação ou o ambiente em que os textos aparecem. Ex: Livros, internet, telefone, outdoors, etc.


4) A partir do que diz o texto, como você acha que surgem novos gêneros?


R= Surgem a partir das inovações em um determinado contexto cultural para ordenar e estabelecer atividades comunicativas do dia a dia. Não são as tecnologias que originam os gêneros e, sim, a intensidade do uso dessas tecnologias e suas interferências na comunicação. Os gêneros não são inovações absolutas, mas apoiam-se em gêneros já existentes, mantendo com estes certas semelhanças.


5) Por que desaparecem gêneros antigos?


R= Desaparecem quando outros os substituem, ou, num determinado contexto cultural, deixam de ter funcionabilidade nas atividades comunicativas.


6) Como se comportam os novos gêneros em relação às fronteiras entre oralidade e escrita?


R= Os novos gêneros deixam mais tênue as fronteiras entre a oralidade e a escrita, por serem maleáveis e por integrarem vários signos linguísticos verbais e não-verbais.


7) Que aspectos podem servir de critério para a classificação de um gênero?


R= Podemos levar em conta, para classificar um gênero, os aspectos estruturais ou linguísticos, os aspectos funcionais e sóciocomunicativos. Em outros casos será o próprio veículo, em que os textos aparecem, que determinarão o gênero presente.


Por: Lucas Neiva
Gênero literário e não-literário


(  Texto: poema " José" de Carlos Drummond de Andrade)
Como obra representativa do Modernismo, as rimas desse poema não são rimas tradicionais ou clássicas.


A) Trancreva um poema ou, ao menos, uma estrofe, sublinhando a última sílaba tônica de cada verso.

Soneto: Transforma se o amador na cousa amada ( Camões)

Transforma se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sòmente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.

B) Compare com o trecho de "José". Por que consideramos que as rimas desse poema não são clássicas?

R= As rimas do poema "José" não são clássicas porque não seguem os modelos de organização simétrica dos versos tradicionais, cultivados, por exemplo, por Olavo Bilac, Camões, etc. Os versos brancos ou sem rimas, que começaram a ser utilizados no Romantismo, só foram ralmente explorados no Modernismo para romper definitivamente com os padrões clássicos, que, conforme o exemplo do poema de Camões, são tecnicamente perfeitos.

C) Por que, mesmo não tendo o padrão clássico de rimas poéticas, o trecho de "José" pode ser considerado poético?

R= O trecho de "José" é considerado poético mesmo não seguindo o modelo clássico de rimas, porque há versos rimados ( Sé/bou/gou) e alguns versos brancos. Mas o que verdadeiramente o define como poético é a presença da musicalidade, da linguagem metafórica e dos jogos de palavras.

D) As repetições usadas no poema são comumente usadas em textos escritos? Por que você acha que são usados nesse poema?

R= As repetições não são, ou não devem ser usadas, em textos escritos. Quando usadas constituem vícios de linguagem e reproduzindo no texto marcas da oralidade. Essas repetições podem ser usadas em textos poéticos para reforçar a musicalidade, realçar certas expressões, criar jogos de palavras que contribuirão para a cadência e exploração dos recursos sonoros da língua.


Gestar II

Por: Lucas Neiva

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Unidade 2 - A Proposta Pedagógica do Gestar II

► Revelando as concepções sobre o ensino-aprendizagem e o papel do professor.


1) O que é, para você, processo ensino-aprendizagem?

R= O processo ensino-aprendizagem é o conhecimento produzido em sala de aula mediante a orientação do professor e a participação ativa dos alunos. Podemos dizer que ensino-aprendizagem é o resultado da interação aluno/professor.

2) A partir desta concepção de processo de ensino-aprendizagem, qual é o papel do professor em sala de aula?

R= O professor deve desempenhar o papel de mediador, ou seja, deverá colocar o aluno em contato com o conhecimento. Ele deve apontar caminhos para que os educandos construam seus próprios conhecimentos. Neste contexto, o professor coloca-se mais próximo do aluno, respeitando sua individualidade e seu histórico cultural-familiar, e este com a sua participação informa ao professor o seu nível de interesse. O trabalho do professor não pode ser isolado, e, sim, cooperativo. O aluno deixa de ser apenas um receptáculo para ser, também, agente do conhecimento.