domingo, 12 de julho de 2009

"Narradores de Javé": A interferência dos narradores na históriaA vida do povo nordestino mais uma vez é retratada no cinema nacional através do filme “Narradores de Javé”. Dirigido por Eliane Caffé, em 2004. O longa aborda os intempéries vividos pela população de um povoado fictício, chamado Vale de Javé. Os temas relacionados com a história estão presentes: história oral, história oficial e história científica e a narrativa é perpassada por elementos irônicos e trágicos comuns à cultura nordestina.
A problemática do filme provém do fato de que o povoado de Javé está preste a ser inundado para construção de uma hidrelétrica. Para reverter este quadro os moradores resolvem fazer um dossiê a fim de transformar o local em patrimônio histórico. Porém o único adulto alfabetizado de Javé é Antônio Biá, um ex-funcionário do correio local, que havia sido expulso do povoado por espalhar calúnias escritas sobre os moradores, para aumentar a circulação de cartas. Mesmo assim Biá recebeu a incumbência de transpor para o papel as memórias dos moradores sobre a fundação do povoado.Com habilidade para florear os acontecimentos, ele começa reunir relatos orais para a confecção do documento.
O filme desenrola com a difícil tarefa de Biá: reunir a história a partir de cinco versões diferentes, uma multiplicidade de fragmentos e memórias incompatíveis entre si.
Nas várias versões os heróis são alterados de acordo com o narrador. Assim o relato de uma mulher, a heroína é Maria Dina. Na versão de um morador negro, o herói era um negro Indalêo. Apesar dessas incompatibilidades, a única forma de salvar o povoado era transformar a oralidade em documento escrito.
O longa metragem traz abordagens sobre o patrimônio imaterial, a cultura, os laços que podem existir com um pedaço de terra. Em um momento uma moradora de Javé, discorre, frente a uma câmera digital, que lá estavam enterrados seus antepassados e seus filhos que morreram. Segundo ela, eles não poderiam ficar embaixo d’agua.
Entre a multiplicidade de versões que ecoam em seus ouvidos, a arbitrariedade da interferência dos narradores e a necessidade de produzir algo consciente para salvar Javé, fazem com que Antônio Biá entregue o livro em branco para a população, que acusado e ameaçado por todos, sai andando de costas, demonstrando coragem com esta atitude.
A história, que não foi escrita por Biá, é narrada em terceira pessoa, por Zaqueu, que conta os fatos para um viajante. O curioso é que ele, durante os acontecimentos, encontrava-se fora do arraial. O que nos leva a crer que a sua narração também apresenta seu ponto de vista.
“A narrativa apresenta o intercâmbio entre passado, presente e futuro, na construção da História. A verdadeira história de Javé, inicia-se após a inundação do povoado, quando os maradores reúnem-se com este objetivo. E mais uma vez a figura de Antônio Conselheiro é lembrada... ‘e o sertão vai virar mar’...”







Por: Lucas Neiva
Para refletir...


"Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Hoje repito, é uma maldição,
mas uma maldição que salva.
É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é impossível
se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.
Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que
nunca se entende a menos que se escreva. Escrever e procurar entender é procurar
reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria
apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi
abençoada... Lembro-me agora, com saudade, da dor de escrever livros."


Clarice Lispector
O processo da escrita
Existem várias crenças, teorias e opiniões sobre o desenvolvimento da modalidade escrita da linguagem. Porém estas ideias concatenam-se no que se refere a importância do uso desta habilidade sócio-comunicativa para o exercício da cidadania.
A aprendizagem da escrita, ao contrário da linguagem oral, não é um processo natural. Aprende-se a escrita num contexto específico: a escola. Cabe aos professores a responsabilidade de ensinar a escrever e esta aprendizagem ocorre em processo primário na escola. No que tange o trabalho com a escrita, a nível de 6º ao 9º ano e Ensino Médio, restringe-se apenas a produção de textos narrativos, descritivos e dissertativos e muitas vezes os temas propostos distanciam-se da realidade do educando e de seus conhecimentos prévios, dificultando assim a confecção do texto e contribuindo para que este aluno afaste-se mais da modalidade escrita da linguagem.
O processo da escrita está diretamente ligado ao ato da leitura. Mas ao contrário do que muitos pensam o indivíduo não desenvolverá a escrita apenas por ler muito. A leitura é necessária, mas não suficiente para o desenvolvimento da escrita. Aprender a escrever exige trabalho, persistência, tanto por parte do aluno, como de quem ensina.
Outro fator preponderante para aquisição da habilidade de escrever está ligado ao contexto cultural e familiar do sujeito. As histórias que a família e comunidade passam para a criança apresentam uma estrutura e seqüência lógica. Estes mecanismos vão sendo assimilados pelo indivíduo e facilitarão a produção de novos textos, pois as primeiras etapas da aprendizagem da escrita funciona como uma forma de transcrição da oralidade. O professor deve atentar para o fato de que muitos alunos vivem em ambientes iletrados e semi-letrados, e chegam à escola sem nenhum contato com a modalidade escrita de sem nunca terem sido estimulados para esta competência. No processo ensino-aprendizado da escrita deve-se valorizar a relação da escrita com a leitura, com as experiências de vida e com a descoberta de novos mundos. Aprender a escrever e lidar com as diferentes práticas da cultura escrita, possibilita ao sujeito expressar-se e posicionar-se criticamente às demandas dos ambientes que estiverem.



Por: Lucas Neiva

sábado, 11 de julho de 2009

Bons Amigos

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir

Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.

Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.

Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.

Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.

Porque amigo sofre e chora.

Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.

Porque amigo é a direção.

Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.

Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.

Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,

Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis